
Os pilotos da F-1 já estão aquecendo os motores para a temporada 2010 da principal competição do automobilismo mundial. Depois de inúmeras modificações no ano passado, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) decidiu que a 61º edição da Fórmula 1 sofrerá alteração no sistema de pontuação, fim do reabastecimento, punição para equipe que não participar de GP (Grand Prix), entre outras novidades.
A grande mudança na proibição do reabastecimento é uma das mais impactantes alterações, já que o recurso era permitido na categoria desde 1994. Com isso, as escuderias acreditam que o tempo de parada nos boxes para troca de pneus será reduzido para menos de 4 segundos, o que deixará as provas mais emocionantes.
Também foi batido o martelo para o aumento do peso mínimo do carro, que passa de 605 kg para 620 kg, sem gasolina. Já a capacidade do tanque de combustível dobrou de 120 litros para torno de 235 litros, dependendo do consumo de cada motor. O número de jogos de pneus de pista seca diminuiu de 14 para 11 e os dez melhores pilotos do Q3 (terceira qualificatória) deverão começar a corrida com os mesmos pneus com que fizeram os seus melhores tempos na última sessão de qualificação.
Uma regra que não sofreu alteração foi a do limite de oito motores durante a temporada. Caso determinada escuderia utilize um nono propulsor, o piloto perde dez posições no grid em cada circuito. Já o construtor que não participar de um GP deverá ser punido. “Do ponto de vista esportivo e de regulamento, cada equipe registrada no campeonato é obrigado a participar em todos os eventos da temporada. Qualquer falta, mesmo que em apenas um evento, iria constituir em uma infração ao regulamento da FIA e ao Pacto de Concórdia (acordo que rege a F-1)”, afirmou o francês Jean Todt, novo presidente da FIA, ao site da entidade.
Na pontuação, Bernie Ecclestone (donos dos direitos comerciais da F-1), FOTA (Formula One Teams Association) e FIA decidiram que a partir deste ano o vencedor de um GP ganhará 25 pontos, o segundo (18), o terceiro (15), o quarto (12), o quinto (10), o sexto (8), o sétimo (6), o oitavo (4), o nono (2) e o décimo um ponto.

Para os carros se adequarem ao fim do reabastecimento foi preciso expandir o tamanho dos tanques de combustível. Com isso, as equipes aumentaram cerca de 15 centímetros na distância entre-eixos dos bólidos. Já para abrigar os reservatórios maiores e minimizar o impacto desse acréscimo foi preciso utilizar caixas de câmbio com tamanho reduzido ou ainda posicionar o cockpit mais para a frente do veículo.
Na visão externa, ficou decidida a exclusão das calotas aerodinâmicas e o estreitamento dos pneus dianteiros. Isto irá corrigir o desequilíbrio da frente e da tração traseira que resultou da reintrodução dos slicks no ano passado. O resultado da mudança alarga o espaço entre o pneu e o chassi, tornando essa área ainda mais importante na aerodinâmica do carro.
Para Castilho de Andrade, especialista em automobilismo e diretor de imprensa do GP Brasil, o público da Fórmula 1 está acostumado com as mudanças freqüentes dos regulamentos técnico e esportivo. “A diferença principal da F-1 com outros esportes como o futebol é que ela está intimamente ligada com o desenvolvimento tecnológico e, por essa razão, as regras precisam ser constantemente modificadas.
A temporada 2009 contou com a participação de 10 escuderias. Já a atual F-1, mesmo com a decisão da Toyota em deixar a competição, tem confirmada a participação da McLaren, Mercedes GP, Red Bull, Ferrari, Williams, BMW Sauber, Renault, Force India e Toro Rosso. Além delas, Lotus, Campos, USF1 e Virgin serão as equipes debutantes.
No calendário da 61º edição da Fórmula 1, destaque para a volta do Grande Prêmio de Montreal, no Canadá, que não havia abrigado prova no ano passado. Interlagos continuará sendo o penúltimo circuito do ano, já que o GP de Abu Dhabi novamente encerrará a competição.
Mesmo diante de tantas mudanças técnicas no regulamento e inclusão de novas escuderias, a grande atração desta temporada é o retorno de Michael Schumacher às pistas. Maior vencedor da história da Fórmula 1 com sete títulos, o alemão vai pilotar o carro da Mercedes Grand Prix. A expectativa também é muito grande para a dupla da Ferrari composta pelo brasileiro Felipe Massa e pelo espanhol Fernando Alonso, que atuou pela Renault em 2009.